14 de setembro de 2010

reflexões sobre a vida acadêmica

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[CONTEXTO]
1)Enviei um trabalho pra apresentar no ENG (Encontro Nacional de Geógrafas*) e o trabalho foi aceito mesmo se tratando de um mero ensaio.
2)Descobri então que a AGB (Associação de Geógrafas Brasileiras) tem a política de não recusar trabalhos (uma das únicas associações profissionais que faz isso).

Assim, segue o texto que escrevi pra falar antes da apresentação do meu ensaio:

"Antes de começar minha apresentação, eu gostaria de fazer uma reflexão a respeito de um depoimento que ouvi ontém durante uma mesa redonda. Um estudante contou que escreveu um artigo em apenas 4 dias para enviar aqui pro ENG e depois se arrependeu. A princípio eu não compreendi porque exatamente, mas então ele explicou. Se arrependeu porque acabava de se "aproveitar" do fato de que a AGB tem a política de não recusar trabalhos para enviar um artigo feito sem muito estudo apenas para fazer sua apresentação e ganhar seu certificado.

É incrível que venhamos lutando pela democratização do ENG há décadas (isso me refiro ao movimento estudantil), mas a troca de que? De que as pessoas desde sua graduação se insiram numa lógica "produtivista" de que é necessário produzir a qualquer custo, independente do que se produza, o importane é produzir. Acredito que não.

Acredito sim que o modelo de encontro do ENG é de certa forma revolucionário e subversivo. Coloca estudantes de graduação, de pós e professoras para dialogarem com seus trabalhos e enriquecerem suas produções. Permite uma troca de saberes muito mais intensa que qualquer outro encontro por permitir a diversidade.

A partir de seu depoimento eu comecei a me questionar sobre o meu trabalho que apresentarei em seguida. Trata-se de um mero ensaio, um esforço reflexivo acompanhado de algumas leituras de embasamento que me enriqueceram bastante, sim, mas prefiro acreditar que o trabalho ainda não chegou no seu fim. Prefiro acreditar que não estou aqui para apresentá-lo a vocês, mas sim para compartilhar com vocês a minha reflexão para então fomentá-lo e incrementá-lo. Acredito que este tipo de espaço não deve ser o fim, mas o meio.

Digo isso tudo porque acredito que nós, acadêmicas, temos uma função social, a geografia que quero fazer é uma geografia que serve a população que paga meus estudos¹ e não apenas para mim e para meu currículo. Quero que meu currículo represente aquilo que fiz para o mundo e não para o meu umbigo. Por isso quis fazer esta reflexão antes.

Resumindo: acho que é importante e muito bom que a AGB tenha a postura que tem quanto aos trabalhos, mas é importante repensar nossas posturas e lutar por uma geografia/produção de conhecimento realmente comprometida com a nossa sociedade. Talvez um espaço de apresentação de trabalhos como um meio e não um fim fosse uma idéia boa. Não tenho conhecimento suficiente para avaliar, mas por hora acredito que seria positivo.

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De certa forma, isso tem a ver com meu ensaio. Em muito. Desde meu primeiro semestre eu me envolvi com o movimento estudantil e acredito que esse envolvimento tem me ensinado muito. A sala de aula não é o único espaço de aprendizagem da universidade e esse é uma das motivações do meu ensaio de forma dupla.

Primeiro porque ele foi escrito para conclusão de uma disciplina (Geografia Humana), na qual eu deveria fazer uma reflexão utilizando uma das categorias estudadas ao longo do semestre: espaço, lugar, paisagem, território ou outro. Eu sabia de cara que gostaria de escrever sobre Território, mas não sabia onde utilizar a categoria. Foi quando uma colega me abriu os olhos: eu, militante no movimento estudantil estava envolvida em um conflito espacial. Assim, o tema foi escolhido a partir do movimento estudantil.

Em segundo lugar, ao começar a escrever sobre o movimento de ocupação, tive que aprofundar meu entendimento de centro acadêmico, e assim percebi que o centro acadêmico é um espaço para o aprendizado também.

Espero ter contribuído para reflexões que se proliferem em suas vidas, apesar de ser um raciocínio um pouco banal, eu chamo até de ligar os pontos, mas é um tema pouco falado e que precisa de reflexão também.

Assim como o trabalho de vocês contribuiu para minha formação. e eu vos agradeço"

Notas:
1- Quem realmente banca as universidades públicas são pessoas de classes baixas que pouco têm acesso a própria instituição.
*O texto foi todo escrito no feminino mesmo de propósito. ThinkAboutIt! ;p

2 mensagens:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. ai,ai,prima,o que dizer...xD

    Admiro muito você,esse seu espirito empreendedor,esse seu senso de justiça,essa coragem de lutar pelo que é certo e ir ao encontro do desconhecido,enquanto outros ficam no conhecido...mas refreando o próprio espirito que é livre...digo isso por mim,você é do tipo que se joga no rio,que faz o milagre,e eu tenho medo de ser do estilo que apenas admira,que apenas olha a vida passar e não participa...

    Não quero morrer de tédio,ao mesmo tempo,que sei,como sou impulsiva,também não quero fazer tantas coisas impensadas e me arrepender,mas fazer é melhor que não fazer,afinal uma experiência ruim,é melhor que a falta dela,pois essa mesma experiência nos ensina,nos compõem,nos amadurece e nos faz quem somos.
    Basta apenas aceitar,se errou o caminho,podemos e devemos nos dar o luxo de tentar outro.xD

    Você que é mais nova,é um ótimo exemplo para mim,que sou mais velha,eu quero revolucionar também,e vendo você,o meu espirito livre também se assanha por ir atrás do que acredita ser certo.Estou ensaiando...mas não quero viver nesse ensaio para sempre,quero agir...

    Porém,também,do meu jeito estou tentando coagir a mudança,vejo que as vezes de forma diferente,também consigo ser fiel a mim e fazer o que acredito,o que me atrapalha é quando tento fazer o contrario,que infelizmente tem sido habitual...poder sentir as emoções alheias como sendo minhas,todas elas,me faz agir as vezes de modo covarde,embora sabendo que não tenho,nem devo seguir expectativas de ninguém,porque não tem como,que devo ser fiel ao que acredito,mas o fato de ser sensível aos sentimentos e pensamentos das pessoas,me faz sentir suas próprias decepções e dores como sendo minhas,então sem querer me pego decepcionada comigo,por ter decepcionado alguém...então me vejo nesse jogo,nessa mentira,em que me divido,e ao final das contas,não me satisfaço,nem satisfaço a ninguém...

    Sabendo do que sei,porque ainda fico tão dividida...queria ser mais insensível,mais passional,para conseguir fazer o que é certo,ou ser sensível,na medida certa...mas o fato de ser exagerada,mas faz ser ao extremo...

    Espero de algum jeito,ser inspiração também,porque minha autocrítica elevada,me faz ter idéias errôneas até de mim...xD
    Vou mudar as minhas lentes,para ver se enxergo o mundo de outra forma...

    Bem,é isso,parabens prima,pelo blog,to adorando ler,todos seus posts,sua escrita é muito boa,sua argumentação também!Tenho orgulho de você,hoje e sempre!!

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